terça-feira, 1 de março de 2011

Enredo: Unidos do Peruche


Peruche volta à elite com centenário do 

Teatro Municipal

Escola vai abordar os 100 anos do local e dividiu o enredo em "atos". 
Semana de Arte Moderna também terá seu espaço na escola.

Rafael ItalianiDo G1, em São Paulo
Unidos do Peruche, escola do Bairro do Limão, Zona Norte de São Paulo, volta para o Grupo Especial do carnaval paulistano com o enredo “Abram-se as cortinas! O espetáculo vai começar. 100 anos de Theatro Municipal de São Paulo. A Peruche vai contar”. Por conta disso, o carnavalesco Amarildo de Mello resolveu dividir o enredo que abre os desfiles no dia 4 de março, às 23h, em atos e não em setores, como é de costume.
A Unidos do Peruche, que volta ao Grupo Especial após o vice-campeonato do ano passado no Grupo de Acesso, vai entrar no Anhembi com seus 3.000 componentes distribuídos em 26 alas e cinco carros. “O tema é clássico, mas vai ser apresentado de forma moderna. Vamos fazer um carnaval muito dançado e teatralizado”, diz Amarildo Mello. De acordo com Mello, cerca de 1.100 componentes das alas e dos carros estão sendo ensaiados.
Alegorias da escola recebem os toques finais para o desfile (Foto: Rafael Italiani/G1)Alegorias da escola recebem os toques finais para o desfile (Foto: Rafael Italiani/G1)
O carro abre-alas, que vai mostrar a inauguração do Teatro Municipal, evento que ocasionou um dos primeiros congestionamentos da cidade, terá 138 componentes. A alegoria também vai contar com uma plateia desenvolvendo os mais variados tipos de arte que passaram pelo local ao longo de seus 100 anos: óperas, danças, música, teatro etc.
Detalhe do carro abre-alas que aborda a inauguração do Teatro Municipal de São PauloDetalhe do carro abre-alas que aborda a
inauguração do Teatro Municipal de São Paulo
(Foto: Rafael Italiani/G1)
O segundo ato da Peruche traz um dos momentos mais importantes do Teatro Municipal: A Semana de Arte Moderna de 1922. “Isso é muito importante para o nosso enredo, já que na época da inauguração já existia o movimento modernista. A escolha do Teatro Municipal para a Semana de Arte Moderna foi uma forma de deboche aos valores clássicos”, afirma o carnavalesco.
Emerson Nunes e Cintia Cristina Grecco Pricolli formam o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos do Peruche. Eles vão representar a vitória dos 100 anos do Teatro Municipal, com fantasias que fazem alusão a arte criada na Grécia na antiguidade.
A Peruche também vai trazer uma ala composta por 60 drag-queens representando a peça "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues. “Como ele sempre chocou, pretendemos fazer isso também.”
A modelo Caroline Bittencourt estreia no Carnaval como rainha de bateria da Peruche, comandada pelo mestre Cal. A modelo Danielle França é a madrinha e a ex-BBB Jaqueline Khury é a musa da bateria. Serão 220 ritmistas que darão vida ao samba-enredo cantado pelos intépretes Tinga, Toninho Penteado, Bernardete e Manoel.

Palavras que mais aparecem nas letras dos sambas

01/03/2011 16h29 - Atualizado em 01/03/2011 19h47

Veja as palavras mais usadas nos sambas das escolas de SP e Rio

Nuvem de palavras reúne letras dos sambas-enredo de 2011.
Passe o mouse sobre o item para saber quantas vezes ele aparece.

Do G1, em São Paulo
Se a Marquês de Sapucaí e o Anhembi se juntassem num só desfile, a palavra "amor" seria a mais cantada do carnaval 2011. Somadas as aparições dela nos sambas-enredo das escolas das duas cidades, ela aparece 24 vezes, aponta a nuvem de palavras produzida pelo G1 com base nas letras oficiais.
No Rio, excluídos os verbos campeões, que são conjugações de "ir" (como vai e vem) e a negação "não", as palavras mais usadas nos sambas são vida (10 registros), amor (9), mar (9) e luz (8). Em seguida vêm carnaval e mundo (7 registros cada). Em São Paulo, amor (15 aparições) lidera, seguida de samba (10) e vida (9).
Para fazer uma nuvem menos poluída, foram tirados artigos, preposições, pronomes e verbos de ligação. Veja, abaixo, o resultado (passe o mouse sobre as palavras para saber o número de vezes que elas aparecem).
Abaixo, as nuvens de palavras em formato jpg:
Rio de Janeiro
Tag Rio de Janeiro (Foto: Arte/G1)(Arte/G1)


São Paulo
Tag Cloud São paulo (Foto: Arte/G1)(Arte/G1)


Rio + São Paulo
Tag Cloud Rio São Paulo (Foto: Arte/G1)(Arte/G1)


Inclusão no Carnaval


01/03/2011 19h36 - Atualizado em 01/03/2011 19h43

Sambódromo terá camarotes para deficientes visuais em SP

Camarote especial receberá 45 deficientes visuais.
Nove telões já foram instalados no Anhembi.

Do G1 SP
O Sambódromo do Anhembi já está quase pronto para o desfile das escolas. E neste ano tem novidade: um camarote para deficientes visuais e outro para as velhas guardas.
Com sol ou chuva, o trabalho não para. A equipe que faz a montagem dos camarotes e cenários nem se importa com a garoa. As grades nas laterais da pista e nas arquibancadas foram trocadas para dar mais segurança aos foliões. Nove telões já foram instalados. O último foi erguido nesta terça-feira (1º) e pesa mais de uma tonelada.
Em 2011, um camarote vai ser especial. Fica na parte superior e está sendo preparado para receber 45 deficientes visuais. Eles podem não ver o desfile, mas vão ouvir a bateria das escolas. Duzentas caixas de som já estão espalhadas pelo sambódromo.
Outra novidade é que os componentes da velha guarda das escolas vão ter um espaço só para eles: um camarote será montado próximo à concentração. E a pista por onde as escolas vão passar só vai receber pintura nova na quinta-feira à noite, depois que tudo estiver pronto.
“Neste ano, nós estamos esperando 130 a 135 mil turistas que vêm aqui para o Sambódromo nos quatro dias de carnaval, e 107 mil artistas passando pela Passarela do Samba”, afirma Caio Carvalho, presidente da SPTuris.

Mulheres no Carnaval


Após coletiva de imprensa LIGA da sobre a participação da mulher 
no Carnaval, G1  destaca o tema. Dia 8 de março é Carnaval e 
Dia Internacional da Mulher


01/03/2011 07h00 - Atualizado em 01/03/2011 13h01

Mulheres conquistam espaço no carnaval de São Paulo

Das pessoas que trabalham com carnaval, elas são maioria.
Mulheres também dominam arquibancadas do Sambódromo.

Rafael ItalianiDo G1, em São Paulo
Do total de pessoas que trabalham no carnaval de São Paulo 51,2% são mulheres, de acordo com os números do Censo Samba Paulistano, realizado pela Prefeitura de São Paulo. Nas máquinas de costura dos barracões, colando adereços em carros, montando fantasias e fazendo as escolas desfilarem com harmonia e competência, as mulheres do carnaval vão ganhando cada vez mais espaço.
Maria da Penha levou a filha Paula Fernanda para a Nenê de Vila Matilde. A diretora de harmonida escola conseguiu formar duas filhas com o dinheiro que ganhou em carnavais passados (Foto: Rafael Italiani/G1)Maria da Penha levou a filha Paula Fernanda para a Nenê de Vila Matilde. A diretora de harmonia escola diz que conseguiu formar duas filhas com o dinheiro que ganhou em carnavais passados (Foto: Rafael Italiani/G1)
Maria da Penha de Paula Freitas, 55 anos, está há mais de 49 na Nenê de Vila Matilde e hoje é diretora de harmonia. No dia do desfile ela vai estar próxima ao abre-alas, orientando a subida dos destaques no carro e os componentes das primeiras alas da escola. “No dia do desfile eu tenho que ficar de olho se as pessoas não estão bebendo, se uma delas cai durante o desfile, pode derrubar todo mundo”, afirma Penha. Ela também fica atenta a todos os adereços das fantasias e não deixa ninguém paquerar na concentração, antes do desfile.
“Valorizo muito a família e para mim isso é um trabalho sério. Os meninos podem não saber com quem estão mexendo. Se uma passista sai nua, é porque ela teve o respaldo da família, do marido, do namorado. Por isso não pode ter desrespeito.” Penha diz que formou duas filhas em administração de empresas e criou sozinha outros cinco, graças ao carnaval. Paula Fernanda Correa, 28 anos, é secretária de harmonia da Nenê e responsável pela comissão de frente da escola.
Ritmo feminino
Há duas décadas como mestre de bateria da Águia de Ouro, Juca viu as mulheres ganhando cada vez mais espaço entre os ritmistas da escola. A agremiação, segundo ele, foi uma das primeiras do Brasil a ter mulheres na bateria. “Elas se dedicam muito mais que homens e o aprendizado delas é mais fácil”, diz o mestre de bateria, que diz ter muito orgulho das mulheres que tocam sob seu comando.
Natália Sorrini e Camila Papacidero tocam chocalho na bateria da Águia de Ouro. A escola tem 60 ritmistas mulheres (Foto: Rafael Italiani/G1)Natália Sorrini e Camila Papacidero tocam chocalho na bateria da Águia de Ouro. A escola tem 60 ritmistas mulheres (Foto: Rafael Italiani/G1)
Hoje, dos 250 ritmistas da escola, 60 são mulheres. Na primeira linha do setor, Camila Papacidero, 28 anos, e Natália Sorrini, 25 anos, dão o “molho” da bateria tocando os chocalhos. “Parece ser leve, mas tem que ter braço para balançar esse instrumento durante o desfile”, diz Natália.
Viviane Araújo toca surdo pela Águia de Ouro e chocalho na Porto da Pedra, escola do Rio de Janeiro (Foto: Rafael Italiani/G1)Viviane Araújo toca surdo pela Águia de Ouro e
chocalho na Porto da Pedra, escola do Rio de
Janeiro (Foto: Rafael Italiani/G1)
Já Viviane Araújo, 29 anos, se destacou no surdo, um instrumento relativamente pesado. Entre piadas dos companheiros de bateria, ela foi incisiva na resposta com muito bom humor: “Sou tão boa na bateria que toco chocalho na Porto da Pedra.” Todos os anos ela ajuda a fazer o ritmo no carnaval do Rio de Janeiro e diz acreditar que o empenho das mulheres não é para se destacar entre os homens.
“Nós somos assim mesmo, pessoas determinadas e cada vez mais respeitadas por isso”, afirma a ritmista. O crescimento do carnaval de São Paulo nos últimos anos também se deve às arquibancadas do Anhembi. Ainda segundo os dados da prefeitura, mais de 63% do público que acompanha os desfiles são mulheres.